Ferimentos na boca que não cicatrizam podem ser sinais de câncer bucal

Especialistas alertam sobre tumor que atinge cerca de 15 mil pessoas ao ano; Campanha ‘Julho Verde’ promove atenção para tumores da região da cabeça e pescoço

 

Feridas, inchaços, nódulos ou manchas densas em torno da garganta ou da boca e que permaneçam por mais de 15 dias, merecem ser investigadas. Estes ferimentos podem ser indícios do câncer de boca, doença que segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), deve ter cerca de 15 mil novos casos registrados no país somente este ano. O câncer da cavidade oral é um dos tumores mais comuns da região de cabeça e pescoço, parte do corpo que ganha atenção neste mês com a campanha ‘Julho Verde’ que visa conscientizar para a prevenção ao conjunto de tumores que afetam regiões da boca, faringe, laringe, cavidade nasal e seios paranasais, glândulas salivares e tireoide.

O câncer de boca pode afetar os lábios, gengivas, céu da boca, bochechas, língua e a região embaixo da língua. Além das lesões, a rouquidão persistente também é um dos primeiros sinais deste câncer. Em casos mais avançados, podem surgir outros sintomas como dificuldades para mastigar e engolir, para falar e ainda a sensação de que há algo preso na garganta. A estomatologista do Centro Oncológico do Triângulo, unidade da Oncoclínicas em Minas Gerais, Dra. Marília Andrade, alerta para a necessidade de averiguar já ao apresentar os primeiros indícios da doença. “O dentista será um grande aliado para identificar as evidências iniciais do câncer de boca, por isso é importante manter uma rotina de avaliações com esse profissional, mas se a visita periódica ao especialista ainda esteja distante, a realização de um autoexame bucal mensalmente também pode auxiliar a identificar indícios da doença. Caso perceba feridas ou manchas ao fazer essa inspeção, procure verificar o quanto antes. O câncer de boca é silencioso e em muitas vezes pode ser indolor. O diagnóstico precoce e tratamento logo no início, aumentam em 80% a sobrevida neste tipo de tumor”, comenta Dra. Marília.

A maior incidência do câncer de cavidade oral acontece entre homens. Segundo as projeções do Inca, dentre os mais de 15 mil novos casos previstos para este ano, 11.180 serão registrados na população masculina, enquanto 4.010 novos casos serão em mulheres. Dentre os homens, os mais afetados são aqueles com idade acima de 50 anos.

O desenvolvimento do câncer de boca está muito relacionado ao estilo de vida. O fumo e o álcool ainda são os principais fatores, com 90% dos casos associados a esses hábitos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Inclusive, o consumo de álcool e o tabagismo juntos aumentam em 19 vezes a chance de desenvolver tumores na região da cabeça e pescoço. Nos últimos anos, o HPV também tem sido um fator principal para o surgimento da doença, até mesmo entre jovens. O contato sexual, principalmente no sexo oral, é a principal forma de contaminação. O oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), unidade da Oncoclínicas em São Paulo, Dr. Andrey Soares, comenta o crescimento dos casos relacionados à contaminação pelo HPV. “Apesar do número de fumantes ter diminuído, em apenas 20 anos esse tipo de câncer aumentou cerca de 225%. O principal fator pode ser o papiloma vírus, que é capaz de acelerar o desenvolvimento desse tumor”, salienta Dr. Andrey. Ainda há outros fatores que podem contribuir para o aparecimento da doença, como a higiene oral feita de forma precária e inadequada, a falta de uma dieta rica em frutas, verduras e legumes e a exposição aos raios UVA e UVB sem proteção nos lábios.

O tratamento para este tipo de câncer será de acordo com a região da boca em que está localizado, cada caso demanda um cuidado específico e dependerá do estágio do tumor. Em grande parte dos casos é realizada a combinação da cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

 

Como realizar o autoexame bucal?

Para o autoexame bucal o processo de inspeção visual deve ser realizado em frente ao espelho com uma boa iluminação, além disso, é importante apalpar as áreas analisadas para identificar sinais de endurecimento ou caroços. No procedimento serão analisadas as partes da cavidade oral, como bochecha, lábios, língua, assoalho bucal, podendo identificar anormalidades como mudanças de coloração, dentes fraturados ou amolecidos, áreas irritadas debaixo de próteses. Confira o passo a passo para fazer essa avaliação:

1 – Inicie pelos lábios, observando se há alterações na cor e apalpe com os dedos para buscar por áreas mais endurecidas. Vire os lábios e analise também a parte interna.

2 – Utilizando o dedo indicador, examine os dois lados da bochecha. Ainda com o dedo indicador, verifique também a gengiva.

3 – Examine a língua e apalpe toda a superfície em busca de alterações. Não se esqueça que é possível acumular uma camada branca sobre a superfície quando se ela não for limpa adequadamente durante a higiene bucal.

4 – Coloque a língua para fora, vire para um lado e depois para o outro e apalpe.

5 – Incline a cabeça para frente, analise embaixo da língua e apalpe para sentir se há caroços.

6 – Incline a cabeça para trás e observe o céu da boca. Se possível, utilize um pequeno espelho para ajudar.

7 – Observe a garganta enquanto fala ‘AAAAAA’, em frente ao espelho.

8 – Examine o pescoço comparando os lados direito e esquerdo e observe se há diferença entre eles. Apalpe para identificar caroços ou áreas endurecidas.

Vale ressaltar que, apesar de ser eficaz, o autoexame não substitui o exame clínico realizado por um especialista.

 

O Câncer não Espera: adiar diagnósticos de tumores em meio à pandemia de Covid-19 é um risco

Devido a pandemia da Covid-19 inúmeras pessoas estão com receio de procurar hospitais e clínicas para monitoramento da saúde ou mesmo quando já percebem sinais que devem ser investigados. Esta insegurança tem afetado até mesmo o processo de tratamento do câncer, pois pessoas estão fazendo pausas por conta própria. De acordo com um levantamento realizado pelas Sociedades Brasileiras de Patologias e de Cirurgia Oncológica estima-se que no país 50 mil pessoas já deixaram de ser diagnosticadas com câncer desde o início da pandemia, e só em abril, cerca de 70% das cirurgias oncológicas agendadas foram adiadas.

O cenário preocupa especialistas, pois as consequências deste comportamento são graves, já que em vários casos, principalmente para identificação de tumores, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Para garantir a segurança de todos os pacientes e minimizar este receio, as unidades da Oncoclínicas, intensificaram as medidas de segurança e prevenção. Confira alguns dos cuidados adotados e ampliados:

  • Utilização da telemedicina para atendimento aos pacientes, seja por meio online e telefone.
  • Intensificação da esterilização de todos os aparelhos, como os de radioterapia.
  • Adoção de horários afastados entre as sessões.
  • Redução nos fracionamentos para que o paciente vá menos vezes à clínica.
  • Testagem da Covid-19 para todo o corpo clínico.
  • Orientação para que aqueles que estejam em melhor condição de saúde, não levem acompanhantes para o local de tratamento.
  • Pacientes com sinal de gripe seguem um fluxo diferenciado de atendimento.

Com todas estas medidas, o paciente pode e deve manter sua rotina de cuidados com a saúde na clínica, pois o medo pode gerar complicações.